Óleo do Nordeste: sanções dos EUA criaram ‘frota fantasma’ de petroleiros

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Uma das hipóteses mais consideradas pelas autoridades brasileiras é a de vazamento durante um carregamento de petróleo feita em alto mar de navio para navio

O desastre ambiental sem precedentes no litoral do Nordeste brasileiro pode ter sido causado por um vazamento em uma transferência de óleo em alto mar entre petroleiros.

A transmissão de sinal por navios para rastreamento por satélite é uma exigência da Organização Marítima Internacional, mas as sanções americanas à Venezuela e a obsessão de Donald Trump de criar um bloqueio naval à PDVSA resultaram, nos últimos meses, numa verdadeira frota de petroleiros fantasmas, com sinal desligado, operando no Atlântico Sul, como há tempos já é prática comum em navios-tanques que carregam no Irã.

O site American Shipper, especializado em assuntos de transporte marítimo, informa que as sanções dos EUA a países como Venezuela, Irã e Coreia do Norte está dividindo o setor em dois: “os navios dispostos a cumprir as sanções dos EUA e os que lucram ao preencher a lacuna”.

Em abril, outro site especializado, o Argus, noticiou que a PDVSA determinou aos navios-tanques que vão buscar petróleo na Venezuela que desligassem seus transponders, caso não quisessem abrir mão de fretes que chegam a custar a bagatela de US$ 12 milhões – cerca dois milhões a mais do que antes das sanções. Em julho, a Bloomberg adiantava que petroleiros que cumprem a rota Venezuela-Cuba estão no modo “go dark” para os satélites ou até mudando de nome.

Nesta quarta-feira, 9 de outubro, a Reuters adiantou que um terço dos navios da estatal chinesa COSCO Shipping Tanker desligaram seus transponders desde que os EUA puniram a empresa, em setembro, por transportar petróleo iraniano. A COSCO opera mais de 50 superpetroleiros, os maiores navios para transporte de petróleo bruto do mundo.

Não obstante estas mais recentes notícias do mundo offshore – e off transponder -, o governo brasileiro se diz empenhado em identificar a origem do vazamento de petróleo que emporcalhou o litoral do Nordeste usando rotas de navios-tanques descritas por satélite.

Uma das hipóteses mais consideradas pelas autoridades brasileiras é a de vazamento durante um carregamento de petróleo feita em alto mar de navio para navio.
As importações de petróleo pela China provenientes de transferências de navio para navio (ship-to-ship, no jargão do setor) triplicaram em setembro – mês em que o petróleo começou a aparecer na costa nordestina – em relação a agosto, indicando estratagema dos chineses para mascarar negócios petrolíferos com países sancionados pelos EUA.

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