Devido à pandemia cerca de 1 milhão de crianças não foram vacinadas

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A covid-19 trouxe um paradoxo em relação à vacinação no Brasil: despertou maior consciência sobre a importância da imunização e, ao mesmo tempo, constituiu uma barreira para a sua concretização. Cerca de 33% dos pais de crianças de até 5 anos atrasaram as vacinações por conta da pandemia ou não sabem como está a situação da vacinação, segundo pesquisa feita pelo IBOPE Inteligência, a pedido da empresa Pfizer, em julho de 2020.

Essa porcentagem corresponde a um milhão de crianças não vacinadas, afirmou o pediatra Juarez Cunha, presidente da SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações), durante conferência online para apresentação dos dados coletados.

O estudo, chamado “Vacinação no Brasil: a percepção do brasileiro sobre a importância da imunização nos dias atuais”, teve a participação de 2 mil pessoas maiores de 18 anos, moradoras da cidade de São Paulo e das regiões metropolitanas do Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba e Salvador.

Cunha acrescenta que a falta de cobertura vacinal, situação acentuada pela pandemia, traz à tona outras doenças infecciosas. Dentre elas, a mais preocupante é o sarampo, que é uma das principais causas de mortalidade infantil. Surtos voltaram a ocorrer no Brasil desde 2018 e atingem todas as regiões do país.

Até 18 de julho deste ano, o país tinha 7.212 casos confirmados da doença. Destes, 7.010 (97%) estavam nos Estados do Pará, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Santa Catarina, de acordo com boletim epidemiológico do Ministério da Saúde.

“Nós já estamos pagando essa conta. E quando começarmos a ter uma liberação do isolamento, o cenário será preocupante”, alertou o pediatra.

“A campanha [de vacinação deste ano] da gripe foi um sucesso para idosos e profissionais da saúde, mas para gestantes e crianças, que também são vulneráveis, tivemos apenas 70% de cobertura”, observou. A meta era imunizar 90% desses grupos, considerados prioritários.

Rosana Richtmann, integrante do comitê de Imunização da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) e médica da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, em São Paulo, compartilha da preocupação de Cunha.

“A gente está deixando de fazer a prevenção de doenças que também são importantes e causam impacto na saúde pública por medo de sair de casa”, destacou.

Os dados da pesquisa confirmam a afirmação de Rosana: 18% dos entrevistados estão em dúvida sobre vacinar a si mesmos e familiares durante a pandemia, pois não sabem se é seguro sair de casa para isso.

Além disso, cerca de um em cada quatro entrevistados (26%) relatou sentir medo de ter possíveis efeitos colaterais graves e 22% teme efeitos colaterais leves. E um em cada cinco (20%) teme que o local de vacinação não tome todos os cuidados de higiene necessários ou que a vacina não tenha sido armazenada corretamente.

Por outro lado, 27% passaram a se informar mais sobre vacinas ou a acreditar que a vacinação é importante para evitar doenças e 90% afirmaram ter a intenção de tomar as vacinas recomendadas para a sua faixa etária no próximo ano.

Rosana e Cunha ainda citam a falsa sensação de segurança dos pais e profissionais da saúde jovens – que não conhecem determinadas doenças – e a polarização política como causas da queda da imunização.

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