Unila investiga impacto de animais na cadeia epidemiológica da covid-19

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Embora ainda seja controversa a origem do Sars-Cov-2 – o vírus causador da Covid-19 –, existe a hipótese de que o seu surgimento esteja relacionado a zoonoses, ou seja, doenças transmitidas entre animais e seres humanos. E é nesse contexto de inter-relação entre humanos e animais que se desenvolve a pesquisa “Aspectos epidemiológicos da infecção por Sars-Cov-2 em animais (domiciliados e silvestres) com abordagem em Saúde Única”. O estudo irá avaliar a participação dos animais na cadeia epidemiológica da Covid-19. O projeto de pesquisa é coordenado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) e conta com a colaboração de uma Rede de Estudos formada por instituições de ensino superior do Paraná – entre elas, a UNILA.

A pesquisa irá avaliar uma potencial interação interespécies no processo infeccioso da Covid-19, lançando questões sobre o papel do homem na infecção de animais pelo Sars-Cov-2, e vice-versa. Nesse sentido, o estudo traz uma abordagem em Saúde Única, que se pauta na relação entre a saúde de humanos, de animais e do meio ambiente. “A abordagem da saúde única é importante, porque você tem que focar nas três coisas ao mesmo tempo e, com isso, é possível fechar o diagnóstico de uma forma mais precisa e conter o avanço de uma doença de uma forma mais rápida e eficaz”, explica o docente do curso de Saúde Coletiva da UNILA Walfrido Kühl Svoboda, responsável pela colaboração da UNILA nesse projeto.

Dados da Organização Mundial da Saúde Animal (OIE) apontam que 75% das doenças humanas emergentes têm origem animal, a exemplo do Ebola e da já conhecida Gripe Suína (H1N1), que também causou pandemia em 2009. Esse número traz um alerta sobre a importância de uma abordagem ampliada da saúde. “A transposição do vírus do animal para o homem pode estar relacionada a algum desequilíbrio a nível ecológico, ambiental, que favoreceu uma quebra da barreira de especificidade”, explica Svoboda, referindo-se a doenças que surgem inicialmente específicas para uma determinada espécie de animais e acabam tornando-se infectantes também para o homem. “E quando ocorre essa quebra, doenças emergentes começam a ocorrer”, complementa.

Coletas em Foz do Iguaçu

Em Foz do Iguaçu, o professor Walfrido Svoboda realizou, em novembro, a primeira coleta de amostras biológicas em dois cães, cujo tutor testou positivo para a Covid-19. Além do contato próximo com um ser humano infectado, um dos animais apresentou sintoma respiratório de tosse. Por meio do swab (cotonete estéril), foi feita a coleta de secreções na região orofaringe, ocular, anal e interdigital (entre os dedos) dos cães. A amostra será encaminhada para a Universidade Estadual de Londrina, para ser examinada. “Serão feitas análises com o teste qRT-PCR, para investigar se tem material genético do vírus (Sars-Cov-2), e os testes Elisa e Western Blot, para detectar anticorpos. São os mesmos testes feitos em humanos, só que em laboratório de pesquisa para animais”, explica o docente.

Svoboda também relata que, durante a visita para a realização da coleta, aplicou um questionário para investigar, entre outros aspectos, a rotina dos animais, a sua relação com os tutores e os locais de circulação. Entre os animais domiciliados, o estudo tem como enfoque cães e gatos, e a amostra estimada é de cerca de 350 animais – incluindo animais silvestres –, que serão selecionados no período de 15 meses. Assim, a pesquisa espera contribuir com dados científicos para responder algumas questões. O animal é apenas um carreador ou um portador assintomático? Ele pode manifestar sinais clínicos pós-infecção? Animais podem atuar como “sentinelas”, ou seja, como alertas na infecção para seres humanos? O animal pode eliminar o vírus e transmitir para o homem? A cepa viral pode ser a mesma no animal e nos humanos?

Além de buscar respostas para essas perguntas, o estudo, no âmbito da inovação, visa propor métodos alternativos para diagnóstico do vírus que causa a Covid-19, por meio do desenvolvimento de testes rápidos, além de elencar e validar novos fármacos para o tratamento da doença. O projeto da pesquisa foi submetido à Capes dentro do Programa Estratégico Emergencial de Prevenção e Combate a Surtos, Endemias, Epidemias e Pandemias. Com início este ano, o estudo tem previsão de término somente em 2023. A proposta dessa pesquisa inclui, ainda, o fortalecimento dos vínculos entre instituições de ensino superior paranaenses, por meio da formação e consolidação de uma Rede de Estudos.

Pesquisa colaborativa

Com coordenação da Universidade Estadual de Londrina (UEL), esse estudo tem como instituições colaboradoras, além da UNILA, a Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro), Universidade Estadual do Norte do Paraná (Uenp), Universidade Federal do Paraná (UFPR), Universidade Estadual de Maringá (UEM), Universidade Paranaense (Unipar), Universidade Pitágoras Unopar, Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Fundação Parque Tecnológico Itaipu (PTI), Université de Montréal e Indian Institute of Chemical Biology. Em Foz do Iguaçu, além do professor e pesquisador da UNILA Walfrido Svoboda, o projeto terá apoio dos pesquisadores e médicos veterinários Carlos Santi, Luciana Chyo, André de Souza Leandro e Eliane Maria Pozzolo, além do pesquisador e biólogo Robson Delai.

Os residentes de Foz do Iguaçu interessados em participar da pesquisa devem entrar em contato com o professor Walfrido Svoboda pelo e-mail walfrido.svoboda@unila.edu.br, para solicitar a coleta de materiais biológicos (swab e sangue) dos animais domiciliados. O docente destaca que uma das condições para incluir a participação de animais domiciliados nesta pesquisa é a de que eles tenham tido contato com pessoas com sinais clínicos da Covid-19 e que os tutores dos animais tenham terminado o período de quarentena.

Fonte: Assessoria

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