Paraguai abre investigação sobre “avião fantasma” retido na Argentina

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Aeronave tripulada por venezuelanos e iranianos esteve no Aeroporto Internacional Guaraní, região de Ciudad del Este, no mês de maio.

O Ministério Público do Paraguai determinou, nessa quarta-feira (22), a abertura de um procedimento para apurar suspeitas de irregularidades durante a permanência de um avião Boeing 747 Dreamliner, com bandeira venezuelana, no Aeroporto Internacional Guaraní, região de Ciudad del Este, no mês de maio.

A aeronave, com registro YV3531, está retida, desde 8 de junho, no Aeroporto Internacional de Ezeiza, em Buenos Aires, após denúncias de que os tripulantes (14 venezuelanos e cinco iranianos) podem ter vínculos com grupos criminosos. O Boeing, que era da Mahan Air, do Irã, foi comprado há menos de um ano pela venezuelana Emtrasur.

A chegada ao Paraguai ocorreu em 13 de maio, no aeroporto vizinho a Ciudad del Este, para desembarque de mercadorias. A permanência deveria durar poucas horas, mas estendeu-se até o dia 16. À época, a operação foi tratada como de rotina, com o apelido de “avião fantasma” surgindo apenas depois da retenção na Argentina.

Em declarações à imprensa local, Sandra Quiñonez, procuradora-geral, disse que serão apuradas questões relacionadas à autorização de pouso, procedência da aeronave, tipo de cargas desembarcadas, situação dos tripulantes e eventuais “condutas que possam ter relevância penal” durante a estada no Paraguai.

Na Argentina, uma das suspeitas é que a venda do Boeing à venezuelana Emtrasur tenha sido uma operação de fachada, com o objetivo de driblar sanções internacionais impostas às empresas do Irã. A Mahan Air, que nega vinculação, afirma que os cinco tripulantes iranianos não têm qualquer tipo de contrato com a companhia.

Autopeças

Em 6 de junho, o Boeing pousou na Argentina, oriundo do México, para desembarcar uma carga de autopeças. No dia 8, foi impedido de pousar no Uruguai e retornou à Argentina, sendo retido após questionamentos quanto à documentação apresentada. O caso vem sendo acompanhado, atentamente, pelas embaixadas da Venezuela, Irã e Estados Unidos (país responsável pelas sanções).

Nessa quarta-feira (22), o jornal Página 12, de Buenos Aires, informou que uma perícia feita no celular do comandante da aeronave, a pedido da Justiça argentina, detectou fotos de tanques, mísseis e bandeiras com frases contra Israel.

Já a agência Télam relata que, “entre os elementos ‘irregulares’ detectados na primeira parte da investigação, aparece uma diferença na tripulação que pegou o voo no México e a que desceu na Argentina, além da descoberta de um plano de voo do mês de abril, em nome de uma empresa iraniana, quando a aeronave já pertencia à venezuelana Emtrasur”.

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